sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Pelo descentralismo social



Por Rodrigo Viana

Minha preocupação com o governo do PT não tem nada a ver com "implantação do comunismo", "vai virar Cuba", e essas coisas ditas sem cabimento. O que me preocupa é a veia centralizadora e, por consequência, mais ou menos autoritária, que sempre existiu no partido. Ao menos nas altas cúpulas (você não acha que o vereador petista da sua cidade possui planos mirabolantes sobre bolivarianismo, certo?). Nada muito diferente dos outros partidos de esquerda existentes hoje, de onde se originaram em alas dentro do próprio PT.

Mas de todo modo a esquerda tradicional brasileira, fiel ao apego às políticas estatistas partidárias ou não, é de uma "esquerda jurássica", presa em pensamentos já desgastados e órfã de novas perspectivas. E isso se reflete nas eleições desse ano. Soma-se ao fato de que sua linha de atuação é quase que incompatível com as principais mudanças de base que vem ocorrendo nas transformações de sociedades como a economia compartilhada nos EUA e Europa; as redes de cooperativas sociais na Europa; produção em pequena escala integrada por redes; movimentos sociais de base, populares, espontâneos, não centralizados e sem um único líder como o Occupy nos EUA, Movimento Passe Livre no Brasil e os bolsões de democracia livre do Occupy Democracy na Inglaterra; impressoras 3D; compartilhamento de arquivos (torrent) e informações (wikileaksanonymous) via internet; moedas digitais e comunidades autônomas e auto-geridas como as dos zapatistas e curdos.

TODA essa esquerda não compreende bem essa transformação social que vem ocorrendo no mundo. Elas não estão realmente preparadas, pois seus pensamentos não dão base para empreendimentos plurais, descentralizados e autônomos. A esquerda, esta esquerda particularmente, terá que mudar se quiser manter o status de "representante do povo", do "partido da mudança". E com isso abraçar suas raízes libertárias e contestadoras há muito tempo esquecidas. No final, não vai depender de quem estiver no poder porque os anseios da população não estarão na pauta dos partidos, mas entre a própria população.

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